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Prefeito de sorocaba é afastado por suspeitas em contratos de saúde

Raul Holderf Nascimento

O prefeito de Sorocaba, Rodrigo Manga, foi afastado do cargo por 180 dias por decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3), após solicitação da Polícia Federal (PF). A medida cautelar é resultado da segunda fase da Operação Copia e Cola, que investiga supostas irregularidades em contratos públicos na área da Saúde do município.

Com o afastamento, o vice-prefeito Fernando Neto assume interinamente a prefeitura. A decisão judicial inclui, além da suspensão da função pública, a proibição de contato com pessoas específicas e o bloqueio de bens de alguns investigados, totalizando cerca de R$ 6,5 milhões.

A Operação Copia e Cola, iniciada em abril deste ano, mira uma organização social (OS) suspeita de desviar recursos públicos por meio de contratos com a Secretaria de Saúde de Sorocaba. Na primeira fase, foram coletados documentos e informações que indicariam o envolvimento de outras pessoas e empresas no esquema.

Nesta quinta-feira, a PF cumpriu sete mandados de busca e apreensão e dois mandados de prisão preventiva. Um dos alvos foi o empresário Marco Silva Mott, amigo do prefeito, apontado como possível lobista e intermediário em contratos sob suspeita. A Polícia Federal investiga indícios de fraudes em licitações e sobrepreço de contratos, com o possível desvio de verbas da Saúde para empresas de fachada e pessoas ligadas a agentes públicos.

A defesa de Marco Silva Mott contestou a prisão, alegando que ela se baseia em “conjecturas e suposições” e que o empresário sempre esteve à disposição das autoridades. Os advogados afirmam que apresentarão argumentos ao tribunal para esclarecer os fatos.

Rodrigo Manga e sua gestão negam qualquer irregularidade. O prefeito afirma ser alvo de perseguição política e alega não ter sido notificado previamente sobre a decisão judicial. A Prefeitura de Sorocaba declarou que todas as contratações públicas seguem os trâmites legais e as recomendações dos órgãos de controle, negando qualquer envolvimento do prefeito em irregularidades contratuais.

Eleito em 2020 e reeleito em 2024, Rodrigo Manga ganhou notoriedade como “prefeito tiktoker” devido à sua presença nas redes sociais. Antes de entrar na política, ele trabalhava como vendedor de veículos e utilizava vídeos promocionais para se promover, o que o levou a se destacar como figura pública local. Seus conteúdos digitais, que misturam humor e informações sobre a gestão municipal, o ajudaram a construir uma imagem de gestor próximo à população.

O afastamento de Manga ocorre em um momento em que ele era cogitado para disputar cargos no Senado ou no governo estadual. A operação pode impactar o cenário político em Sorocaba e as relações de poder dentro do Republicanos e do PSD em São Paulo. A Câmara Municipal de Sorocaba foi notificada sobre o afastamento e acompanha o processo, mas até o momento não há pedido de cassação ou abertura de comissão processante. A Polícia Federal mantém parte das investigações em sigilo, e o caso segue sob a responsabilidade do TRF-3.

Até o momento, não há denúncia formal contra Rodrigo Manga. O processo está em fase de investigação, e as medidas adotadas são consideradas cautelares, sem reconhecimento de culpa. Tanto o prefeito quanto sua equipe jurídica afirmam estar colaborando com as autoridades e prometem provar a legalidade de todos os atos da administração.

Fonte: www.conexaopolitica.com.br

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