A ativista climática Marcele Oliveira, de 26 anos, tem atuado como Campeã de Juventude da COP30, seis meses antes da conferência. Nesta função, ela se dedica a ser uma ponte entre as vozes dos jovens e as decisões globais sobre o clima.
Selecionada entre mais de 150 inscritos, Marcele foi escolhida com base em sua experiência no ativismo climático e capacidade de articulação com jovens em diferentes territórios. Ciente da responsabilidade, ela se uniu aos demais concorrentes, formando um grupo de trabalho que a acompanhará até o fim da presidência brasileira na COP30, em 2026.
Marcele relata que seu envolvimento com o ativismo climático começou ao notar a desigualdade na distribuição de áreas verdes em sua cidade, o Rio de Janeiro, onde as áreas mais ricas possuíam mais espaços arborizados e de lazer, ao contrário das periferias. Essa observação a levou a estudar o racismo ambiental e a lutar pelo Parque de Realengo Verde, um movimento que resultou na criação de políticas públicas de parques urbanos em diversas periferias da cidade.
A experiência com o Parque de Realengo Verde a aproximou das conferências globais sobre o clima, onde percebeu a dificuldade de levar as discussões para os territórios. No entanto, ela ressalta que as respostas para os desafios climáticos já existem nesses locais, expressas em demandas por parques verdes, hortas comunitárias e outras iniciativas. Segundo ela, o papel dos ativistas é garantir que a adaptação climática chegue às periferias.
Ao ser nomeada Campeã da Juventude, Marcele e outros jovens se organizaram para garantir que a representação fosse mais ampla e inclusiva, englobando diferentes biomas e realidades do Brasil. Ela descreve a experiência como uma honra e uma responsabilidade, destacando a importância de um mandato construído coletivamente.
Nestes primeiros meses, Marcele observou que a forma como a juventude se organiza para influenciar as negociações climáticas muitas vezes não se encaixa nos padrões tradicionais, mas sim em ações locais. Ela enfatiza a importância de reconhecer e valorizar os projetos já existentes nos territórios, que muitas vezes não têm acesso aos debates internacionais, mas que são fundamentais para garantir a adaptação climática.
Para Marcele, o “mutirão” é a ideia de fazer todo mundo junto, agora, e reconhecer que existem diversas formas de contribuir para a proteção do planeta. Ela acredita que todos precisam ser ativistas climáticos, independentemente de sua origem ou condição social, pois todos habitam o mesmo planeta. No entanto, ela ressalta que algumas pessoas são mais vulneráveis aos impactos das mudanças climáticas, o que torna a luta por justiça ambiental e climática ainda mais urgente.
Sua expectativa para a COP30 é que os diplomatas brasileiros consigam direcionar a conferência para a implementação de ações concretas, levando em consideração a importância de abordar questões como colonialismo e escravidão na busca por soluções. Ela espera que a conferência resulte em anúncios importantes, como o aumento do financiamento para adaptação climática e o reconhecimento das tecnologias ancestrais dos territórios. A longo prazo, Marcele espera que o Brasil consiga sair do mapa do risco climático e inspire outros países a fazerem o mesmo, promovendo a justiça climática em nível global.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
