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Justiça manda prender prefeito, vice e vereadores no Maranhão por corrupção

Divulgação

A Justiça do Maranhão deflagrou uma operação de grande impacto, culminando na decretação de prisão para o prefeito, a vice-prefeita e a totalidade dos 11 vereadores de um município do interior do estado. A ação integra uma investigação aprofundada que desvela um extenso esquema de corrupção no Maranhão, envolvendo desvio de verbas públicas e fraude em licitações. Conduzida pelo Grupo de Ação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), com o suporte da Polícia Militar, a operação já resultou na detenção de 14 indivíduos desde a última segunda-feira, em cidades como Turilândia e São Luís. O caso expõe a fragilidade da gestão pública local e a audácia dos envolvidos, com estimativas de desvios que superam a marca dos R$ 56 milhões em menos de quatro anos, impactando diretamente os serviços essenciais à população maranhense.

Megaprojeto de corrupção desmantelado no Maranhão

A cronologia das prisões e o papel do GAECO

A operação judicial, executada pelo Grupo de Ação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) do Ministério Público do Maranhão, com o apoio crucial da Polícia Militar, revelou uma estrutura complexa e interligada de desvio de recursos públicos. As ações tiveram início na última segunda-feira, dia 22, e se estenderam por diferentes localidades, abrangendo tanto a cidade de Turilândia, epicentro das fraudes, quanto a capital São Luís. Inicialmente, 14 pessoas foram alvos dos mandados de prisão. Entre os primeiros detidos, destacam-se seis vereadores, a vice-prefeita em exercício, Tânia Mendes (PRD), e um médico neurocirurgião, que os investigadores apontam como agiota do prefeito.

Um dos pontos mais chocantes da operação foi a descoberta de mais de R$ 2 milhões em dinheiro vivo. O montante foi localizado na residência do irmão do médico, e as investigações preliminares indicam que esses valores estariam diretamente ligados ao esquema de corrupção em apuração. A soma robusta de dinheiro apreendido reforça a dimensão dos crimes investigados. Nos dias subsequentes, especificamente na quarta-feira, dia 24, outros cinco investigados, que até então estavam sendo procurados, optaram por se apresentar voluntariamente às autoridades policiais. Este grupo incluía figuras de alto escalão da administração municipal e seus familiares, como o prefeito Paulo Curió (União Brasil), a primeira-dama Eva Curió, a ex-vice-prefeita Janaína Lima (PRD), o marido dela, Marlon Serrão, e o contador da prefeitura, Wandson Jhonathan Barros. O Ministério Público do Maranhão confirmou que o prefeito, a vice-prefeita em exercício e todos os vereadores estão sob investigação por crimes graves, incluindo organização criminosa e corrupção. A estimativa dos promotores de justiça é de que os desvios dos cofres públicos tenham ultrapassado a cifra astronômica de R$ 56 milhões em um período inferior a quatro anos, evidenciando um esquema sistemático e de grande escala.

Os métodos do esquema: fraudes em licitações e lavagem de dinheiro

A engrenagem da lavagem via posto de combustíveis

As investigações do Ministério Público aprofundaram-se nas metodologias utilizadas para a dilapidação do patrimônio público e a ocultação dos lucros ilícitos. Um dos mecanismos centrais da lavagem de dinheiro, segundo as apurações, envolvia um posto de combustíveis de propriedade da ex-vice-prefeita Janaína Lima e de seu marido, Marlon Serrão. Desde 2021, o estabelecimento teria sido sistematicamente utilizado para simular transações. A prefeitura efetuava pagamentos vultosos por abastecimentos que, na realidade, nunca ocorriam. Esse dinheiro, após circular pelo posto, retornava de forma indevida ao prefeito, configurando um clássico esquema de lavagem de dinheiro e desvio direto de recursos que deveriam ser aplicados em serviços essenciais para a população. A perpetração dessa fraude por um período tão longo e com valores tão expressivos demonstra a audácia e a confiança na impunidade por parte dos envolvidos.

A confissão sobre licitações fraudulentas

Outro pilar fundamental do esquema de corrupção desvendado focava no setor de licitações do município, uma área notoriamente vulnerável a desvios. A servidora pública Clementina de Jesus Pinho, responsável pelos pregões eletrônicos e também detida na operação, trouxe à tona detalhes cruéis sobre a extensão das fraudes. Em seu depoimento às autoridades, Clementina confessou abertamente que a vasta maioria dos processos licitatórios era fraudulentamente manipulada. Segundo ela, essas irregularidades não eram atos isolados, mas sim diretrizes explícitas emanadas do próprio prefeito. Em troca de sua participação ativa na orquestração dessas fraudes, a servidora recebia vantagens pessoais e benefícios indevidos. O promotor de Justiça Fernando Berniz revelou a gravidade da confissão, indicando que a própria Clementina de Jesus Pinho afirmou que aproximadamente 95% das licitações do município eram manipuladas. Tais manipulações eram motivadas por uma rede de benefícios espúrios, que incluíam desde presentes valiosos até outras recompensas ilícitas, corroendo completamente a lisura e a competitividade dos processos de aquisição de bens e serviços públicos.

Cenário jurídico e político pós-operações

Status dos investigados e a questão da governança municipal

Após a série de prisões e as graves denúncias, o cenário político e jurídico da cidade apresenta complexidades. Enquanto alguns investigados se apresentaram voluntariamente, outros ainda se encontram foragidos. Dos 11 vereadores inicialmente visados pelos mandados de prisão, cinco permanecem com paradeiro desconhecido. Os outros seis vereadores tiveram suas prisões preventivas convertidas em prisão domiciliar, com a obrigatória utilização de tornozeleira eletrônica, permitindo que aguardem o desenrolar das investigações sob supervisão. No que tange à administração municipal, uma situação peculiar foi estabelecida: o presidente da Câmara Municipal, José Luís Araújo (União Brasil), que também figura como um dos investigados, assumirá interinamente a administração da cidade. Essa medida foi adotada pelo Ministério Público com o objetivo de evitar a paralisação completa das atividades e serviços essenciais do município, garantindo um mínimo de continuidade à gestão pública, mesmo diante do escândalo sem precedentes.

As manifestações das defesas

Diante da repercussão do caso, algumas defesas dos investigados começaram a se manifestar. Em nota oficial, a equipe jurídica do prefeito Paulo Curió e da primeira-dama Eva Curió afirmou que ambos estão à disposição da Justiça para prestar todos os esclarecimentos necessários e colaborar com as investigações. A defesa da vice-prefeita em exercício, Tânia Mendes, optou por não se pronunciar sobre as acusações ou o envolvimento de sua cliente no esquema. No momento, os advogados dos demais citados na investigação não foram localizados para comentar as acusações. No entanto, o espaço permanece aberto para que quaisquer envolvidos possam apresentar seus posicionamentos e esclarecimentos à imprensa e às autoridades, reforçando o princípio do contraditório e da ampla defesa.

A complexa teia de corrupção que envolvia a cúpula política de um município maranhense vem à tona com as recentes prisões e investigações. O desvio de R$ 56 milhões, as fraudes em licitações e a lavagem de dinheiro evidenciam uma profunda crise de ética e gestão que corroeu os cofres públicos por anos. Enquanto a Justiça avança para desvendar todos os detalhes e responsabilizar os culpados, a cidade enfrenta um momento de instabilidade administrativa, com o desafio de restaurar a confiança dos cidadãos e garantir a continuidade dos serviços essenciais. A atuação do Ministério Público e do GAECO reforça o compromisso com a integridade e a transparência na administração pública, sinalizando que a impunidade não prevalecerá diante de tamanhos delitos. O desfecho deste caso será crucial para o futuro político e social da região, servindo como um marco na luta contra a corrupção.

Perguntas frequentes (FAQ)

O que motivou a prisão do prefeito, vice e vereadores?
A decisão judicial foi proferida no âmbito de uma ampla investigação que apura crimes de organização criminosa e corrupção. As acusações incluem o desvio de mais de R$ 56 milhões dos cofres públicos, lavagem de dinheiro através de um posto de combustíveis e fraudes sistemáticas em processos licitatórios.

Quantas pessoas foram presas até agora na operação?
Desde o início da operação, um total de 14 pessoas foram detidas. Entre elas, estão o prefeito Paulo Curió, a primeira-dama Eva Curió, a vice-prefeita em exercício Tânia Mendes, a ex-vice-prefeita Janaína Lima, vereadores, o contador municipal e um médico neurocirurgião apontado como agiota do prefeito.

Quem assumirá a prefeitura após as prisões?
Para evitar a paralisação total dos serviços municipais, o presidente da Câmara Municipal, José Luís Araújo, assumirá interinamente a administração da cidade. Vale ressaltar que Araújo também é um dos investigados no mesmo esquema de corrupção.

Quais foram as principais formas de desvio de dinheiro identificadas pelas investigações?
As investigações apontam para duas modalidades principais: a lavagem de dinheiro através de um posto de combustíveis pertencente à ex-vice-prefeita e seu marido, que emitia notas fiscais por abastecimentos fictícios e retornava os valores ao prefeito; e a manipulação de processos licitatórios, com até 95% das licitações sendo fraudadas por determinação da cúpula municipal.

Qual o próximo passo da Justiça neste caso?
O caso será analisado pelo Procurador-Geral de Justiça do Maranhão. Ele avaliará a possibilidade de adoção de medidas adicionais, como uma eventual intervenção no município, caso sejam preenchidos os requisitos legais para tal, buscando garantir a ordem e a continuidade da gestão pública.

Para acompanhar de perto os desdobramentos deste e de outros importantes casos de combate à corrupção no país, mantenha-se informado através de fontes jornalísticas confiáveis e análises aprofundadas sobre a política nacional.

Fonte: https://www.conexaopolitica.com.br

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