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Festival literário do Rio exalta a cultura das periferias

© Festival Conta Conto/Divulgação

A potência da produção cultural das periferias ganhou um palco de destaque na Biblioteca Parque de Manguinhos, na zona norte do Rio de Janeiro, com a realização da Feira Literária Conta Conto ─ Voz das Periferias. Este evento, que reuniu literatura, gastronomia, música, teatro e diversas manifestações artísticas, consolidou-se como um marco na valorização e visibilidade de talentos oriundos das comunidades cariocas. Com uma programação inteiramente gratuita e aberta ao público, a feira não apenas celebrou a riqueza cultural das periferias, mas também fomentou a conexão essencial entre artistas e a comunidade, inspirando novas gerações e demonstrando o vibrante potencial criativo presente em cada território.

Um palco para a voz das periferias

A Feira Literária Conta Conto ─ Voz das Periferias transformou a Biblioteca Parque de Manguinhos em um efervescente polo cultural, demonstrando a força e a diversidade da produção artística que emerge das comunidades. A iniciativa, idealizada por Elton de Souza Pinheiro, autor de livros de terror que retratam o cotidiano do subúrbio carioca, nasceu da observação de uma carência histórica. “Durante minha infância, não existiam muitos espaços culturais voltados para as comunidades. Ter um evento como este, que coloca em evidência a arte e a literatura produzidas por quem vive e respira a periferia, é motivo de um orgulho imenso”, declarou Pinheiro. Ele enfatizou que a programação reflete um olhar genuíno e autêntico sobre essas realidades.

O festival se preocupa em afirmar a presença e o valor desses artistas. “O festival tem essa preocupação de dizer ‘olha, esses artistas aqui chegaram, e a gente pode ir junto'”, acrescentou o idealizador. A proposta vai além da mera exibição de talentos; busca ser uma fonte de inspiração para jovens e crianças. “O festival nasce também com a proposta de inspiração, de inspirar esses jovens, essas crianças, e dizer que existem oportunidades e que há fomento a partir do nosso conhecimento de território de favela”, ressaltou Elton de Souza Pinheiro. Ao oferecer um espaço de visibilidade e reconhecimento, a feira projeta a arte periférica para um público mais amplo, ao mesmo tempo em que reforça a autoestima e o senso de pertencimento nas comunidades.

O projeto Conta Conto: uma jornada de expansão

A Feira Literária Conta Conto ─ Voz das Periferias é o ápice de um projeto que teve início em 2021. Batizado simplesmente de Conta Conto, ele começou como encontros modestos entre contadores de histórias, idealizado por Elton de Souza Pinheiro, nascido em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, e Leandro Pedro, do Morro do Turano, na zona norte do Rio de Janeiro. A iniciativa, inicialmente focada na oralidade e na arte de narrar, rapidamente ganhou tração e se expandiu para além das expectativas iniciais dos seus criadores.

Ao longo de três anos, o projeto Conta Conto realizou mais de 20 edições, percorrendo diversos municípios do estado do Rio de Janeiro. Cada encontro, cada roda de histórias, consolidava a percepção de que havia uma demanda crescente e um público ávido por eventos culturais descentralizados e que dialogassem diretamente com as vivências periféricas. Foi a partir dessa constatação que Elton e Leandro chegaram à conclusão de que o projeto precisava crescer, transformando-se em um festival de maior porte, capaz de abraçar uma gama mais ampla de expressões artísticas e literárias.

“Quando a gente vê que o espaço está cheio, que o espaço periférico está lotado de crianças, está lotado de pais, estão sedentos por isso, também é muito importante”, finalizou Pinheiro, sobre o impacto do projeto. A transição de um simples encontro de contadores para uma feira literária robusta evidencia a capacidade do Conta Conto de mobilizar comunidades e de se adaptar para atender à crescente procura por cultura e arte em espaços que, muitas vezes, são marginalizados dos circuitos culturais tradicionais.

Autores e debates: a diversidade em destaque

O componente literário da Feira Literária Conta Conto ─ Voz das Periferias foi um dos pilares do evento, reunindo renomados escritores e novas vozes. Um total de 15 autores confirmaram presença para participar de mesas de bate-papo enriquecedoras, encontrar os leitores e realizar sessões de autógrafos. Durante os dias da feira, aproximadamente 300 exemplares de livros foram distribuídos gratuitamente, democratizando o acesso à leitura e incentivando a formação de novos leitores nas comunidades.

Entre os convidados de destaque estava o aclamado escritor Júlio Emílio Braz, cuja obra “Pretinha, Eu” foi apresentada ao público. O livro narra a história de Vânia, a primeira aluna negra em um colégio de elite do Rio de Janeiro, e os desafios que ela precisa enfrentar ao lidar com questões de identidade, pertencimento e preconceito em um ambiente hosticamente diferente do seu. A presença de Braz e a discussão de temas tão relevantes reforçaram o compromisso da feira com a diversidade de narrativas e a representatividade.

Além das mesas literárias, o evento promoveu importantes debates com lideranças periféricas, abordando temas cruciais como território, protagonismo e economia criativa. Cintia Sant’Anna, fundadora do Instituto Entre o Céu e a Favela e uma respeitada liderança comunitária do Morro da Providência, participou da mesa “Produção de Favela – Quem Ganha com Nossa Arte?”. Esta discussão se aprofundou na maneira como a arte produzida nas periferias gera valor, tanto cultural quanto econômico, e como esse valor pode ser revertido em benefício das próprias comunidades, combatendo a apropriação indevida e promovendo a autonomia criativa e financeira.

Cultura como ferramenta de transformação social

A Feira Literária Conta Conto ─ Voz das Periferias transcende o formato de um mero evento cultural; ela se estabelece como uma potente ferramenta de transformação social. Ao dar voz e visibilidade à produção cultural das periferias, o festival contribui diretamente para a desconstrução de estigmas e preconceitos historicamente associados a essas regiões. A arte e a literatura produzidas por moradores de favelas e subúrbios passam a ser vistas não apenas como entretenimento, mas como registros autênticos de experiências, identidades e visões de mundo.

O impacto se estende ao empoderamento das comunidades. Quando artistas locais são valorizados e suas obras celebradas, há um fortalecimento da identidade coletiva e individual. Crianças e jovens têm a oportunidade de ver em seus próprios vizinhos e conterrâneos exemplos de sucesso e realização, percebendo que o caminho da arte e da cultura é acessível e pode gerar oportunidades. A discussão sobre economia criativa, por exemplo, abre portas para que os artistas e produtores culturais das periferias desenvolvam estratégias para monetizar seu trabalho de forma justa e sustentável, criando cadeias produtivas locais e impulsionando o desenvolvimento econômico de seus territórios. O festival, assim, planta sementes de inspiração e capacitação, mostrando que a cultura é um pilar fundamental para o desenvolvimento pleno e autônomo das comunidades.

O legado de um festival em crescimento

A Feira Literária Conta Conto ─ Voz das Periferias reafirmou a importância vital de iniciativas que celebram e valorizam a cultura produzida nas margens da sociedade. Ao conectar artistas e comunidade, inspirar jovens e promover debates essenciais sobre protagonismo e economia criativa, o evento deixou um legado de empoderamento e visibilidade para as comunidades do Rio de Janeiro. A expressiva participação do público e a confirmação de uma demanda crescente por esse tipo de programação indicam que a feira não é apenas um evento pontual, mas um movimento em expansão que continuará a fortalecer a rica produção cultural das periferias, garantindo que suas vozes sejam ouvidas e celebradas.

FAQ

Qual o principal objetivo da Feira Literária Conta Conto ─ Voz das Periferias?
O principal objetivo é fortalecer a conexão entre artistas e comunidade, dar visibilidade à produção cultural das periferias e inspirar jovens e crianças, mostrando oportunidades e o potencial do conhecimento oriundo das comunidades.

Quem são os idealizadores do projeto Conta Conto?
O projeto Conta Conto foi idealizado por Elton de Souza Pinheiro, autor e morador de Nova Iguaçu, e Leandro Pedro, morador do Morro do Turano, ambos na região metropolitana do Rio de Janeiro.

Que tipo de atividades são oferecidas no festival?
A feira oferece uma programação diversificada que inclui literatura (mesas de bate-papo com autores, autógrafos, distribuição de livros), gastronomia, música, teatro e outras manifestações artísticas, além de debates sobre temas relevantes para as comunidades periféricas.

Qual o impacto do evento para a comunidade?
O evento impacta a comunidade ao valorizar artistas locais, desconstruir estigmas sobre as periferias, promover o acesso à cultura e à leitura, e inspirar novas gerações a perseguirem seus sonhos artísticos, além de debater a economia criativa local.

Explore a riqueza cultural das periferias do Rio de Janeiro e apoie iniciativas que amplificam essas vozes. Participe de eventos locais e descubra o talento que pulsa em cada comunidade!

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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