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Aumento do IPTU em Campo Grande: Prefeita enfrenta forte desgaste político

FNP/Divulgação

A administração municipal de Campo Grande, liderada pela prefeita Adriane Lopes (PP), deflagrou uma onda de insatisfação na capital sul-mato-grossense ao decretar o reajuste do IPTU para o ano de 2026. A medida, que oficializa uma correção média de 5,32%, chega em um momento de intenso desgaste político para a gestora, que enfrenta uma das maiores taxas de desaprovação entre os prefeitos de capitais brasileiras. O anúncio provocou reações imediatas da população e de diversas entidades, que questionam a legalidade e a transparência dos novos valores, com relatos de aumentos que superam drasticamente o percentual oficial, atingindo patamares que chegam a quase 400% em alguns casos. Este novo cenário tributário impacta diretamente cerca de 430 mil imóveis no município e adiciona mais uma camada de complexidade à já tensionada relação entre a prefeitura e os contribuintes.

A controvérsia do reajuste e o impacto nos contribuintes

O decreto que estabelece o reajuste do IPTU em Campo Grande para o exercício de 2026 gerou um profundo mal-estar entre os moradores. Embora a Prefeitura informe oficialmente uma correção média de 5,32%, baseada em índices inflacionários, a realidade percebida pelos contribuintes é bem distinta. Relatos de cidadãos que acessaram os novos valores do imposto indicam elevações muito superiores a esse percentual, com casos que variam de aumentos próximos de 20% até cifras alarmantes de 396% em comparação ao valor cobrado no ano anterior.

Essa disparidade entre o índice oficial e os valores observados nas guias de pagamento levantou sérias dúvidas sobre a metodologia de cálculo e a transparência da administração municipal. Muitos especialistas e contribuintes sugerem que as variações extremas podem ser resultantes de uma combinação de fatores, incluindo a atualização da base de cálculo dos imóveis ou a revisão de plantas genéricas de valores, que, se realizadas de forma abrupta, podem gerar distorções significativas nos impostos individuais. O impacto desse reajuste é abrangente, afetando aproximadamente 430 mil imóveis cadastrados na cidade, desde residências a estabelecimentos comerciais, e gerando um custo adicional inesperado para milhares de famílias e empresas.

Percentuais divergentes e a insatisfação popular

A manhã subsequente à divulgação dos novos valores do IPTU evidenciou a extensão da indignação popular. A Central de Atendimento ao Cidadão, localizada na capital sul-mato-grossense, registrou uma procura massiva por informações e pedidos de revisão. Desde as primeiras horas do dia, filas se formaram, com moradores expressando surpresa e inconformismo diante dos valores lançados em suas guias. As queixas eram unânimes: os aumentos eram considerados excessivos e desproporcionais à realidade econômica das famílias e negócios locais. Muitos cidadãos relataram sentir-se desrespeitados pela falta de comunicação clara e antecipada sobre a possibilidade de reajustes tão elevados, que, para alguns, significam um peso considerável no orçamento doméstico. A discrepância entre o percentual médio anunciado e os casos individuais de aumento explosivo amplifica a percepção de uma gestão distante das necessidades da população.

A redução do desconto para pagamento à vista

A decisão de reajustar o IPTU não é a única medida controversa da prefeitura em relação ao tributo. Poucas semanas antes, em dezembro, a administração já havia anunciado a redução do desconto concedido para o pagamento à vista do imposto. O abatimento, que tradicionalmente era de 20%, foi limitado a 10% para o exercício de 2026. Essa mudança anterior já havia gerado críticas consideráveis e ampliado a percepção de falta de transparência na política tributária municipal.

A combinação da redução do desconto com o expressivo aumento dos valores base do imposto é vista como um golpe duplo para os contribuintes. Aqueles que se planejavam para quitar o IPTU em cota única, buscando o benefício do desconto, agora se veem diante de um imposto mais caro e com um abatimento pela metade. Essa estratégia fiscal levanta questionamentos sobre a intenção da prefeitura em incentivar o pagamento antecipado e a capacidade dos cidadãos de planejar suas finanças com antecedência, dada a imprevisibilidade das alterações. A percepção geral é de que as medidas visam a aumentar a arrecadação em detrimento da capacidade contributiva e do planejamento financeiro dos cidadãos.

Reações institucionais e o cenário político

A escalada da insatisfação com o reajuste do IPTU em Campo Grande rapidamente transcendeu a esfera popular, provocando uma série de reações institucionais. Órgãos representativos e do poder legislativo local manifestaram preocupação e anunciaram ações para investigar a legalidade e a razoabilidade das medidas fiscais adotadas pela prefeitura. Este cenário reflete o aprofundamento do desgaste político da atual gestão, que já enfrentava altos índices de desaprovação popular antes mesmo desta nova polêmica.

A pressão institucional e a mobilização de entidades civis indicam que a questão do IPTU está longe de ser um problema isolado, inserindo-se em um contexto mais amplo de questionamentos à forma como a cidade está sendo administrada. A busca por respostas e a defesa dos direitos dos contribuintes prometem ser um capítulo importante na dinâmica política de Campo Grande nos próximos meses.

A atuação da Câmara Municipal e da OAB/MS

Diante da repercussão negativa e das inúmeras queixas dos contribuintes, a Câmara Municipal de Campo Grande agiu rapidamente. Foi instalada uma comissão especial para discutir o reajuste do imposto e apurar possíveis irregularidades no processo. A função da comissão é ouvir os cidadãos, analisar a documentação da prefeitura, investigar as bases de cálculo e os percentuais aplicados, e verificar se houve conformidade com a legislação municipal e federal. A expectativa é que a comissão apresente um relatório que possa subsidiar ações do legislativo para proteger os interesses da população, o que pode incluir a revisão do decreto municipal ou a proposição de novas leis.

Paralelamente, a Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional MS (OAB/MS) também se posicionou de forma contundente. A entidade anunciou que levará o caso ao Judiciário, com o objetivo de tentar suspender a cobrança dos novos valores. A OAB/MS fundamenta sua ação em princípios como a razoabilidade, a legalidade e a transparência dos atos administrativos, argumentando que os aumentos reportados, que chegam a quase 400%, são desproporcionais e podem configurar confisco, além de uma possível falta de publicidade adequada sobre as alterações na base de cálculo.

Além disso, entidades representativas do comércio e do setor produtivo local também se manifestaram publicamente contra a medida. Elas alertam para o impacto negativo que o aumento do IPTU, somado à redução do desconto, pode ter sobre as empresas, elevando custos operacionais e, consequentemente, afetando a competitividade e a geração de empregos na capital. A união desses diferentes setores da sociedade civil e instituições promete intensificar a pressão sobre a administração municipal para rever as decisões.

O levantamento da AtlasIntel e o desgaste da gestão

O polêmico reajuste do IPTU não surge isolado no cenário político de Campo Grande. Ele se insere em um contexto de forte desgaste da imagem da prefeita Adriane Lopes. Um levantamento divulgado pela AtlasIntel no final de dezembro já havia apontado a gestora como a prefeita com o pior desempenho entre as capitais brasileiras, registrando uma taxa de desaprovação de 79%. Esse índice alarmante, que coloca a prefeita em uma posição de grande fragilidade política, serve como um pano de fundo para a forte reação popular e institucional às medidas tributárias.

A decisão de aplicar um reajuste tão significativo e com tantas divergências nos percentuais em um momento de alta desaprovação é vista por analistas políticos como uma aposta arriscada, que pode aprofundar ainda mais o distanciamento entre a prefeita e a população. O desgaste político se manifesta não apenas nas pesquisas, mas também na dificuldade de diálogo com a sociedade civil e na crescente oposição por parte de setores estratégicos, como o Judiciário e o Legislativo local, criando um ambiente desafiador para a continuidade da gestão e suas futuras ações.

Conclusão

O reajuste do IPTU em Campo Grande para 2026, com percentuais que geram controvérsia e insatisfação, representa um momento crítico para a administração municipal. A disparidade entre o aumento oficial e os valores observados pelos contribuintes, somada à anterior redução do desconto para pagamento à vista, tem intensificado o desgaste político de uma gestão já fragilizada por altos índices de desaprovação. A mobilização da população, a ação da OAB/MS no Judiciário e a instalação de uma comissão especial na Câmara Municipal demonstram a seriedade e a amplitude da crise. O futuro das medidas tributárias e as consequências políticas para a prefeita Adriane Lopes permanecem incertos, mas o episódio reforça a necessidade de transparência e diálogo na gestão pública, especialmente em temas que afetam diretamente o bolso do cidadão.

FAQ

Qual o percentual oficial de reajuste do IPTU em Campo Grande para 2026?
Oficialmente, a Prefeitura de Campo Grande informou que o decreto estabelece uma correção média de 5,32% para o IPTU de 2026.

Por que muitos moradores relatam aumentos muito superiores ao percentual oficial?
Apesar da correção média oficial, muitos contribuintes têm relatado aumentos que variam de cerca de 20% a quase 400%. Essa discrepância pode ser decorrente de fatores como a atualização da base de cálculo dos imóveis ou a revisão de plantas genéricas de valores, que impactam o valor venal de propriedades específicas de forma mais acentuada.

Quais foram as principais reações institucionais ao aumento do IPTU?
A Câmara Municipal de Campo Grande instalou uma comissão especial para apurar as irregularidades. A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional MS (OAB/MS) anunciou que levará o caso ao Judiciário para tentar suspender a cobrança. Entidades do comércio e setor produtivo também se posicionaram contra a medida.

Houve alguma outra mudança polêmica relacionada ao IPTU recentemente?
Sim, em dezembro, a prefeitura também anunciou a redução do desconto para pagamento à vista do IPTU, que era de 20% e foi limitado a 10% para 2026. Essa decisão anterior já havia gerado críticas e ampliado a percepção de falta de transparência da política tributária municipal.

Mantenha-se informado sobre os próximos desdobramentos dessa complexa questão tributária e política, e acompanhe as ações das entidades e do poder legislativo para entender o impacto em Campo Grande.

Fonte: https://www.conexaopolitica.com.br

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