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Um quarto dos brasileiros ignora a prevenção do câncer, aponta estudo

© Paulo Pinto/Agência Brasil

A prevenção do câncer é um tema crucial para a saúde pública, mas um estudo recente revela uma preocupante lacuna no conhecimento dos brasileiros. Uma em cada quatro pessoas no país desconhece que a doença pode ser evitada, acendendo um alerta para a necessidade de campanhas mais eficazes e políticas públicas abrangentes. O levantamento, de abrangência nacional, aprofundou-se na percepção da população sobre diversos fatores de risco, como tabagismo, consumo de álcool, alimentos ultraprocessados e o sedentarismo. Com estimativas de um aumento significativo no número de novos casos nos próximos anos, compreender e agir sobre essa desinformação torna-se vital para a saúde da nação.

A lacuna no conhecimento sobre a prevenção do câncer

A constatação de que 25% dos brasileiros ignoram a possibilidade de prevenir o câncer é um dado alarmante. Essa falta de informação é particularmente preocupante em um cenário onde as projeções indicam um crescimento expressivo da incidência da doença. Segundo especialistas, o Brasil deve registrar cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano no triênio 2026/2028. Esse volume representa um aumento de 10,9% em relação ao período anterior, impulsionado principalmente pelo envelhecimento da população e pela adoção de hábitos de vida pouco saudáveis.

Para dimensionar a extensão desse desconhecimento, um estudo pioneiro foi conduzido, entrevistando 6,5 mil pessoas em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal. Esta pesquisa é a primeira de alcance nacional a investigar a fundo o que os brasileiros pensam e fazem em relação à prevenção do câncer, oferecendo um panorama detalhado sobre a percepção de risco e os comportamentos associados. Os resultados servem como um importante subsídio para o desenvolvimento de estratégias de saúde mais direcionadas e eficazes.

Fatores de risco: o que a população sabe e o que ignora

A pesquisa trouxe à tona diferenças significativas na forma como a população brasileira percebe os diversos fatores de risco para o câncer. Enquanto alguns hábitos são amplamente reconhecidos como perigosos, outros passam despercebidos, revelando a necessidade de intensificar a comunicação e a educação em saúde.

Consciência sobre os perigos conhecidos

Hábitos como o tabagismo e a exposição solar excessiva e sem proteção estão entre os fatores de risco mais amplamente reconhecidos pela população. O fumo, em particular, apresenta um nível de conscientização elevado: 90,5% dos adultos brasileiros afirmam saber que fumar causa câncer. Esse alto índice é reflexo de décadas de políticas públicas e campanhas informativas intensivas, que incluíram advertências em embalagens, impostos elevados e restrições a ambientes de fumo. Outros fatores com alta percepção são a herança genética, reconhecida por 89,4% dos entrevistados, e a exposição solar excessiva, citada por 88,3%. Segundo especialistas, o sucesso na conscientização sobre o tabaco demonstra o poder das ações coordenadas de saúde.

Desafios na percepção de riscos menos evidentes

Contrariando a alta conscientização sobre o tabaco, outros fatores de risco importantes não são percebidos da mesma forma pela população. O sedentarismo, por exemplo, figura entre os últimos da lista, com menos da metade dos brasileiros (48,3%) associando a falta de atividade física ao desenvolvimento da doença. Da mesma forma, as bebidas alcoólicas são apontadas como fator de risco por apenas 71,3%, enquanto alimentos embutidos como presunto e salsicha são reconhecidos por 70,7%. Os alimentos ultraprocessados, como macarrão instantâneo, salgadinhos e sorvetes, são associados ao câncer por 65,6% dos entrevistados.

A lista de fatores de risco subestimados inclui também o sobrepeso e a obesidade, reconhecidos por apenas 54,1% da população, e o consumo de bebidas adoçadas (refrigerantes), associado por 55,3%. A baixa ingestão de frutas e verduras é ligada ao câncer por somente 53,3% dos adultos, e a carne vermelha, um item que aumenta o risco, é reconhecida por menos de três em cada dez brasileiros (27,5%). Além disso, o estudo revela um desconhecimento significativo sobre o aleitamento materno como fator de proteção contra o câncer de mama, com quatro em cada dez entrevistados ignorando essa informação vital. Especialistas defendem que a principal diferença nos graus de percepção reside na ausência de políticas públicas e campanhas informativas semelhantes às implementadas para o tabaco.

Comportamentos e intenções da população brasileira

Além de investigar a percepção, a pesquisa também mergulhou nos hábitos da população relacionados aos fatores de risco para o câncer e na intenção de reduzir esses comportamentos. Os resultados mostram uma complexa interação entre conhecimento, hábitos e vontade de mudança.

Hábitos alimentares e sedentarismo

Em relação aos alimentos ultraprocessados, cerca de 45% dos indivíduos relataram consumi-los e ter tentado reduzir o consumo, enquanto 33% afirmam não consumir e 15% consomem sem intenção de mudar o hábito. Para refrigerantes e bebidas adoçadas, aproximadamente 53% relataram consumo com tentativa de redução, 27% não consomem e cerca de 15% não querem reduzir a ingestão. A carne vermelha apresenta um padrão distinto: cerca de 45% dos indivíduos consomem sem ter tentado reduzir, 40% consomem e tentam reduzir, e o não consumo é menos frequente (cerca de 10%). Em contrapartida, 86,3% da população afirmou consumir frutas, legumes e verduras, e entre os que não consomem, 8,3% manifestaram intenção de começar.

No tocante ao sedentarismo, 52,2% dos entrevistados afirmaram praticar atividade física, e 39% manifestaram o desejo de iniciar exercícios. A consciência sobre a importância da atividade física na prevenção do câncer varia com a renda: cerca de 45% dos que recebem até R$ 2 mil demonstraram menor conhecimento em comparação com aqueles com renda igual ou superior a R$ 10 mil (59,6%). A situação é similar para a gestão do peso corporal: 48,8% se declaram com peso saudável. Entre os que reconhecem ter excesso de peso, 31% afirmam estar agindo a respeito, mas esse número cai para 22,9% entre pessoas com renda inferior a R$ 2 mil, contra mais de 40% entre as de renda acima de R$ 3 mil. Especialistas ressaltam que não basta apenas informar; é preciso promover políticas públicas que garantam o acesso a alimentos saudáveis, a segurança para a prática de exercícios e a oferta de melhores escolhas para toda a população.

O perfil dos jovens e o álcool

O relatório destaca que os jovens com até 24 anos são o grupo que mais consome alimentos associados a fatores de risco sem a intenção de reduzir. Esse comportamento é observado em 32,3% para ultraprocessados, 24,4% para bebidas adoçadas, 29,5% para embutidos e 49,1% para carne vermelha.

Em relação às bebidas alcoólicas, substância associada a pelo menos oito tipos de câncer, metade da população (50,1%) relatou não consumir. Entre os que consomem, 32,5% já tentaram reduzir o hábito. No entanto, os jovens com até 24 anos são maioria entre os que bebem e não têm a intenção de reduzir (16,9%), uma proporção significativamente maior do que entre pessoas de 25 a 59 anos (8,7%) e acima de 60 anos (7,1%). Esses dados reforçam a urgência de estratégias de comunicação e prevenção direcionadas a essa faixa etária.

Estratégias futuras e o papel das políticas públicas

Os resultados do estudo são cruciais para orientar futuras ações de prevenção e comunicação em saúde. Ao identificar as lacunas de conhecimento da população, é possível planejar esforços mais eficazes para disseminar informações de qualidade e promover escolhas saudáveis.

Especialistas enfatizam que a informação, por si só, não é o único determinante para escolhas alimentares ou de estilo de vida. Fatores como acesso aos alimentos, renda, preço e marketing também desempenham um papel significativo. Assim, é fundamental avançar em políticas públicas integradas que não apenas informem, mas também criem um ambiente que favoreça a adoção de hábitos saudáveis por todos. Isso inclui desde a regulamentação do marketing de produtos não saudáveis até a melhoria da infraestrutura urbana para a prática de atividade física segura.

Perguntas frequentes sobre a prevenção do câncer

Quais são os principais fatores de risco para o câncer que a população brasileira mais desconhece?
O estudo aponta que o sedentarismo, o consumo de bebidas alcoólicas, alimentos ultraprocessados, a baixa ingestão de frutas e verduras, o consumo de carne vermelha e a obesidade estão entre os fatores de risco menos reconhecidos pela população brasileira como associados ao câncer.

Como as políticas públicas podem contribuir para aumentar a conscientização sobre a prevenção do câncer?
Políticas públicas, como as implementadas com sucesso para o tabaco (advertências em embalagens, impostos, restrições a ambientes de fumo), são essenciais. Elas precisam ser expandidas para outros fatores de risco, além de criar condições favoráveis para escolhas saudáveis, como segurança para atividade física e acesso a alimentos nutritivos.

O sedentarismo é realmente um fator de risco significativo para o câncer?
Sim, o sedentarismo é um fator de risco importante para o câncer, embora menos da metade dos brasileiros reconheça essa associação. A falta de atividade física contribui para a obesidade e desequilíbrios metabólicos, que por sua vez, aumentam as chances de desenvolvimento de diversos tipos de câncer.

Não espere pelo diagnóstico. A prevenção do câncer está ao seu alcance e começa com informação e escolhas diárias. Busque mais informações, consulte profissionais de saúde e adote um estilo de vida que promova sua saúde e bem-estar.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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