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Os irmãos Karamázov: peça retorna ao Rio com acessibilidade inovadora

© Rafael Bougleux/Divulgação

A aguardada adaptação teatral de “Os irmãos Karamázov”, clássico de Fiódor Dostoiévski, retorna aos palcos do Rio de Janeiro para uma temporada especial a partir desta quinta-feira, 8 de agosto. Mais do que uma simples encenação, o espetáculo promete revolucionar a experiência cultural com um modelo de acessibilidade plenamente integrado à narrativa e à performance. Diferente de abordagens tradicionais, onde a acessibilidade é um elemento externo, a montagem dirigida por Marina Vianna e Caio Blat incorpora a Língua Brasileira de Sinais (Libras) e outros recursos diretamente ao elenco e ao design cênico. A iniciativa reflete um compromisso com a inclusão, buscando oferecer uma vivência teatral rica e acessível a um público diversificado, no histórico Teatro Carlos Gomes, no centro da cidade. Esta temporada representa a concretização de um longo sonho e a reafirmação de que a arte pode e deve ser para todos.

Acessibilidade que transforma o palco

A montagem de “Os irmãos Karamázov” distingue-se por sua abordagem inovadora e integrada à acessibilidade, redefinindo o papel da inclusão na produção teatral. Longe de ser um mero cumprimento de normas, cada elemento acessível foi concebido como parte intrínseca da experiência artística, enriquecendo a obra para todos os espectadores.

A integração pioneira da Libras

Um dos pilares dessa revolução é a forma como a Língua Brasileira de Sinais (Libras) é incorporada. A equipe responsável foi além da simples presença de um intérprete lateralmente posicionado. No palco, Malu Aquino e Juliete Viana, duas atrizes que também são intérpretes de Libras, atuam integradas ao elenco, não apenas traduzindo, mas dialogando com os demais personagens e assumindo papéis dentro da trama. Essa fusão eleva a Libras ao status de um dos idiomas da peça, tornando-a visível e performática. Além disso, uma cena específica é totalmente encenada em Libras, envolvendo todos os atores e demonstrando o potencial expressivo da língua de sinais como ferramenta narrativa e artística. A co-realizadora e produtora Maria Duarte destaca a delicadeza dessa interpretação, que se diferencia de uma tradução literal e busca a essência teatral da obra.

Além das barreiras: inclusão para todos os sentidos

A visão inclusiva da peça estende-se a outras formas de acessibilidade, abraçando diferentes necessidades sensoriais. Para o público com deficiência visual, é oferecido um contato tátil antecipado com o universo da peça, permitindo que toquem figurinos e interajam com os atores antes do início do espetáculo. Um livro em tecido, com leitura em braile, também estará disponível, aprofundando a conexão com a história de forma tátil. Pensando nas pessoas com sensibilidade auditiva, a produção disponibiliza protetores auriculares, garantindo que o ambiente sonoro seja confortável para todos. Essa multiplicidade de recursos reflete a convicção de que o teatro deve ser um espaço de acolhimento e apreciação para cada indivíduo, independentemente de suas particularidades. A inspiração para essa abrangente inclusão veio de Maria Duarte, que, após dirigir um festival com muitos recursos de acessibilidade, percebeu o potencial transformador de um olhar integrado sobre o tema, propondo-o aos diretores da peça. Ela enfatiza que a acessibilidade deve ser uma “lente a mais para a criação artística”, e não um entrave ou contrapartida obrigatória.

A jornada da montagem e o legado de Dostoiévski

A realização de “Os irmãos Karamázov” no palco carioca não é apenas um feito artístico e inclusivo, mas também a culminação de uma jornada de décadas e a materialização de um profundo desejo de reinterpretar um dos maiores clássicos da literatura mundial.

Uma visão que se concretiza após 20 anos

O sonho de adaptar “Os irmãos Karamázov” para o teatro perseguiu o ator e diretor Caio Blat por mais de 20 anos. Desde que se aprofundou na obra de Fiódor Dostoiévski, o romance específico destacou-se por seu potencial dramático e teatral. A paixão pela obra foi compartilhada com o amigo Manuel Candeias, com quem Blat leu a vasta produção do autor russo e, após intensa dedicação, concebeu a adaptação do complexo texto para os palcos. A escolha de “Os irmãos Karamázov” foi unânime, considerada a mais teatral das obras de Dostoiévski, uma tragédia familiar intrincada, repleta de personagens cativantes, conflitos intensos e uma trama de ação contundente. A ascensão de novas traduções diretas do russo para o português, no início dos anos 2000, facilitou significativamente o trabalho de adaptação, permitindo uma fidelidade e profundidade maiores à essência do original.

A busca por um Dostoiévski popular e acessível

Desde o início, a equipe buscou desmistificar a imagem “erudita” de Dostoiévski. O objetivo era criar uma peça que resgatasse o espírito popular do autor, que, em sua época, publicava seus grandes romances como folhetins semanais em jornais – uma espécie de “novela” literária. A trama central da peça, focada na questão de “qual dos irmãos matou o pai”, evoca essa natureza folhetinesca e prende o público. O desafio era transformar um clássico monumental da literatura universal em um espetáculo acessível a todos os públicos, com duração máxima de duas horas. Por muito tempo, o projeto permaneceu “guardado em uma gaveta” devido à falta de oportunidades, até que a parceria entre Caio Blat, Luiza, Marina Vianna e a produtora Maria Duarte impulsionou a iniciativa. A busca por parceiros culminou com o apoio do Sesc, resultando nas primeiras apresentações em janeiro de 2025 no Sesc Copacabana, após serem contempladas pelo edital de cultura Sesc Pulsar RJ e, em seguida, no Sesc São Paulo. A emoção de Caio Blat na primeira apresentação, 24 anos após o início do sonho, traduz o significado e a paixão por trás dessa produção. O sucesso foi imediato: todas as apresentações de 2025, incluindo temporadas no Rio de Janeiro, em São Paulo (capital e interior) e em Belo Horizonte, registraram teatros lotados, com destaque para a parceria com o projeto Acessa BH que levou 1,2 mil pessoas a uma apresentação inclusiva.

A trama envolvente e detalhes da temporada no Rio

A complexidade e a profundidade de “Os irmãos Karamázov” ganham vida no palco de forma condensada e impactante, convidando o público a mergulhar em um drama familiar atemporal.

O universo de Dostoiévski no palco

A adaptação teatral foca nos três dias cruciais que antecedem e sucedem o crime central da trama. Ambientada na Rússia pré-revolucionária, a história mergulha nas intensas disputas entre os irmãos Dmitri, Ivan e Aliócha, e seu patriarca, Fiódor Karamázov. Os conflitos giram em torno da cobiçada herança da família e, de forma ainda mais explosiva, do amor pela mesma mulher, desencadeando uma série de eventos que exploram temas como fé, moralidade, livre-arbítrio e a natureza humana. A produção ressalta a maestria de Dostoiévski em criar personagens multifacetados e dilemas existenciais que permanecem relevantes, mesmo séculos após a escrita original.

Horários, ingressos e acessibilidade ao teatro

A curta temporada de “Os irmãos Karamázov” no Teatro Carlos Gomes promete repetir o sucesso de público das temporadas anteriores. As apresentações ocorrem de quinta a domingo. Às quintas e sextas-feiras, o espetáculo tem início às 19h, enquanto nos sábados e domingos, a cortina se abre mais cedo, às 17h. O Teatro Carlos Gomes está localizado na Praça Tiradentes, centro do Rio de Janeiro, um local de fácil acesso. Os ingressos podem ser adquiridos tanto pelo site oficial da bilheteria quanto diretamente na bilheteria do teatro, que funciona em horários específicos: às quartas-feiras, das 14h às 19h; às quintas e sextas-feiras, a partir das 16h; e nos sábados e domingos, a partir das 14h. Além disso, o teatro abre as suas portas uma hora antes do início de cada espetáculo, permitindo que o público com deficiência visual tenha o acesso antecipado para a experiência tátil com o elenco e o figurino, reforçando o compromisso com a inclusão desde o primeiro momento.

Perguntas frequentes

Quais são as principais inovações de acessibilidade na peça “Os irmãos Karamázov”?
A peça integra a Língua Brasileira de Sinais (Libras) diretamente ao elenco, com duas atrizes intérpretes atuando como personagens. Além disso, uma cena é totalmente encenada em Libras. Há também recursos para deficientes visuais, como contato tátil com figurino e atores antes do show, um livro em braile de tecido, e protetores auriculares para pessoas com sensibilidade auditiva.

Qual a história por trás da decisão de integrar a acessibilidade de forma tão profunda?
A ideia surgiu com a co-realizadora e produtora Maria Duarte, que se inspirou em um festival não teatral onde a acessibilidade era plenamente integrada. Ela propôs aos diretores que a montagem de “Os irmãos Karamázov” adotasse uma abordagem semelhante, vendo a acessibilidade como uma “lente a mais” para a criação artística e não como uma mera obrigação.

Onde e quando posso assistir a “Os irmãos Karamázov” no Rio de Janeiro?
A peça está em cartaz no Teatro Carlos Gomes, na Praça Tiradentes, centro do Rio de Janeiro. As apresentações acontecem de quinta a domingo, com sessões às 19h nas quintas e sextas, e às 17h nos sábados e domingos, a partir de 8 de agosto.

Qual o enredo da peça “Os irmãos Karamázov”?
A montagem teatral cobre os três dias que antecedem e sucedem um crime central. Ambientada na Rússia pré-revolucionária, a história acompanha as intensas disputas entre os irmãos Dmitri, Ivan e Aliócha, e seu pai, Fiódor Karamázov, motivadas pela herança da família e pelo amor pela mesma mulher.

Um marco para o teatro nacional

A temporada de “Os irmãos Karamázov” no Rio de Janeiro, com sua inovadora e integrada proposta de acessibilidade, estabelece um novo padrão para o teatro nacional. A concretização de um projeto sonhado por mais de duas décadas, aliado a um compromisso inabalável com a inclusão, demonstra que a arte pode ser, simultaneamente, profundamente impactante e universalmente acessível. O sucesso de público em todas as suas temporadas anteriores, com teatros lotados em diversas cidades, corrobora a enorme demanda por produções que consideram e acolhem a diversidade do público. Que essa iniciativa sirva de inspiração para que outras produções culturais abracem a acessibilidade não como um anexo, mas como um elemento intrínseco e enriquecedor da experiência artística.

Não perca a chance de presenciar este espetáculo revolucionário. Garanta seu ingresso para “Os irmãos Karamázov” e faça parte desta celebração da arte e da inclusão no Teatro Carlos Gomes!

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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