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PIB da Venezuela despenca quase 90% sob Chávez e Maduro

Marcos Rocha

A Venezuela, outrora percebida como um dos países mais prósperos da América do Sul, impulsionada por vasta riqueza petrolífera e abundância de recursos naturais, testemunhou um declínio econômico sem precedentes nas últimas décadas. O Produto Interno Bruto (PIB) da Venezuela, que chegou a exibir um crescimento robusto sustentado por altos preços de commodities, desabou em quase 90% sob as administrações de Hugo Chávez e Nicolás Maduro. Essa dramática regressão transformou a nação, antes vista como um vizinho rico, em um exemplo marcante de colapso econômico prolongado. A riqueza média da população venezuelana sofreu uma redução brutal, comparável a cenários observados em países que passaram por conflitos armados de grande escala, apagando cerca de meio século de avanços. Este panorama reflete uma série de decisões políticas e econômicas que fragilizaram a estrutura produtiva do país, levando a um retrocesso substancial em termos de renda per capita e oportunidades para milhões de cidadãos.

A ascensão e queda: o ciclo das commodities e a erosão econômica

O brilho efêmero do petróleo e a fragilidade subjacente

Durante os anos 2000, a Venezuela pareceu viver um novo apogeu econômico. Impulsionada pela valorização global das commodities, especialmente o petróleo, o país experimentou um crescimento notável em seu Produto Interno Bruto (PIB) per capita. Dados do Banco Mundial revelam que este indicador saltou de US$ 4.776 em 2000 para impressionantes US$ 13.646 em 2010. Este período coincidiu com o auge da era Chávez, que se beneficiou imensamente dos preços elevados do barril de petróleo no mercado internacional. A renda abundante do petróleo financiava programas sociais e projetos estatais, criando uma percepção de prosperidade e estabilidade.

Contudo, por trás desse crescimento aparente, a base da economia venezuelana já apresentava sinais de fragilidade. A dependência excessiva do petróleo, aliada a políticas internas que desestimulavam a diversificação produtiva, começava a minar a resiliência econômica do país. A ausência de um planejamento de longo prazo que visasse fortalecer outros setores da economia, além do extrativismo, tornava a Venezuela vulnerável às flutuações do mercado global. A bonança do petróleo mascarava a desindustrialização e a perda de capacidade produtiva em outras áreas, criando uma falsa sensação de segurança econômica.

O Estado no comando: nacionalizações e ineficiência

A opção política de concentrar o controle econômico nas mãos do Estado, iniciada por Hugo Chávez e intensificada por Nicolás Maduro, teve efeitos duradouros e prejudiciais. Uma extensa onda de nacionalizações varreu o país, atingindo não apenas a gigante estatal petrolífera PDVSA, mas também setores vitais como alimentos, telecomunicações e uma vasta gama de indústrias privadas. Empresas de diversos portes e segmentos foram expropriadas e passaram para a gestão estatal, sob a justificativa de alinhar a produção aos interesses sociais e promover uma economia mais equitativa.

No entanto, a administração política dessas empresas resultou em consequências devastadoras. A ineficiência, a falta de expertise gerencial, o nepotismo e o aumento sistêmico da corrupção tornaram-se características comuns nas novas gestões estatais. Investimentos essenciais em manutenção e modernização foram negligenciados, levando à deterioração da infraestrutura produtiva e à queda acentuada na capacidade de produção. Essa intervenção estatal maciça não apenas desestimulou o investimento privado, tanto nacional quanto estrangeiro, como também provocou uma significativa fuga de capitais, comprometendo ainda mais a capacidade de inovação e crescimento da economia venezuelana. O modelo do chavismo apostou na crença de que a renda do petróleo seria suficiente para sustentar indefinidamente o modelo econômico adotado, mas o resultado foi o oposto do esperado.

O mergulho na crise: colapso do PIB e retrocesso social

A devastação do PIB per capita sob a nova gestão

As fragilidades da gestão estatal e a dependência do petróleo se tornaram dolorosamente evidentes quando os preços internacionais do barril começaram a cair, marcando o fim do ciclo de bonança das commodities. O choque externo expôs a vulnerabilidade da economia venezuelana de forma contundente nos indicadores econômicos. A partir de 2012, ano em que Nicolás Maduro assumiu o poder após a morte de Chávez, e até 2020, o PIB per capita do país entrou em uma queda livre assustadora. Este indicador, que havia alcançado US$ 12.607 em 2012, despencou para meros US$ 1.506 em 2020.

Em um período de menos de dez anos, a riqueza média do venezuelano foi reduzida em quase 90%, um colapso sem paralelos em tempos de paz. Essa drástica redução significa que, em 2020, o país retornou a níveis nominais de renda semelhantes aos registrados em 1973. Em outras palavras, a Venezuela apagou cerca de meio século de avanços econômicos em apenas uma única década de crise. A desindustrialização, a hiperinflação, a escassez de produtos básicos e a desestruturação dos serviços públicos se tornaram o cotidiano da população, culminando em uma das maiores crises humanitárias e migratórias da história recente da América Latina.

Venezuela em contraste: um retrocesso comparativo global

A dimensão da regressão venezuelana torna-se ainda mais nítida quando sua trajetória é comparada à de outras nações, incluindo potências emergentes e vizinhos regionais. Em 1990, por exemplo, a China apresentava um PIB per capita equivalente a apenas 13% do registrado na Venezuela. Naquele ano, cada chinês produzia em média US$ 319, enquanto o venezuelano alcançava US$ 2.452. A Venezuela era, naquele tempo, uma economia consideravelmente mais robusta que a chinesa.

O mesmo tipo de disparidade pode ser observado em relação ao Brasil. Em 1960, o PIB per capita brasileiro, de US$ 235, correspondia a cerca de um terço do valor venezuelano à época, demonstrando a superioridade econômica da Venezuela no passado. Décadas depois, o cenário se inverteu de forma dramática. Em 2024, a China registrava um PIB per capita de US$ 13.303, enquanto a Venezuela alcançava apenas US$ 4.218, ficando muito aquém da nação asiática. Mesmo no auge do chavismo, impulsionado pelo ciclo das commodities, o indicador brasileiro já se aproximava do venezuelano, representando cerca de 80% daquele valor. Atualmente, a renda média no Brasil já supera em mais do dobro a venezuelana, alcançando US$ 10.311. Essas comparações ilustram não apenas a queda da Venezuela, mas também o sucesso relativo de outras nações que, mesmo partindo de patamares inferiores, souberam diversificar e fortalecer suas economias.

As raízes profundas da crise: um legado de desafios estruturais

Apesar de uma recuperação recente em alguns indicadores, impulsionada por uma certa flexibilização econômica e um leve aumento na produção de petróleo, a Venezuela segue distante do patamar de prosperidade que já ocupou no passado. Atualmente, o país mantém uma renda média equivalente a aproximadamente um terço do que foi em seu período de maior riqueza. Esse cenário de empobrecimento e desestruturação econômica persiste mesmo após a escalada de tensões internacionais e ações recentes dos Estados Unidos contra o regime, como a flexibilização e posterior reimposição de sanções, evidenciando que a crise venezuelana tem raízes profundamente estruturais. Ela foi construída ao longo de anos de decisões políticas com um forte viés socialista que comprometeram de forma duradoura a capacidade produtiva e a sustentabilidade econômica nacional, resultando em um dos mais severos retrocessos econômicos da história contemporânea.

Perguntas frequentes

Qual foi a dimensão da queda do PIB per capita da Venezuela sob Chávez e Maduro?
O PIB per capita da Venezuela despencou quase 90% entre 2012 e 2020, passando de US$ 12.607 para US$ 1.506. Essa queda representou um retrocesso de cerca de meio século nos níveis de renda do país.

Quais políticas econômicas são apontadas como principais contribuintes para a crise venezuelana?
As principais políticas apontadas incluem a concentração do controle econômico nas mãos do Estado, uma vasta onda de nacionalizações em diversos setores, a ineficiência na gestão de empresas estatais, o aumento da corrupção e a dependência excessiva da renda do petróleo, sem diversificação econômica.

Como a Venezuela se compara economicamente a outros países da região e ao mundo atualmente?
A Venezuela, que em 1990 tinha um PIB per capita significativamente maior que a China e o Brasil, inverteu essa posição. Em 2024, seu PIB per capita é de US$ 4.218, enquanto o da China é US$ 13.303 e o do Brasil é US$ 10.311, indicando um retrocesso comparativo global.

Para aprofundar-se em análises econômicas e geopolíticas da América Latina, acompanhe nossas próximas publicações.

Fonte: https://www.conexaopolitica.com.br

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