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Sergio Moro admite erro técnico e defende ajuste nas penas com PL

ABr

O cenário político brasileiro volta a debater a dosimetria de penas, especialmente no que tange aos condenados pelos atos de 8 de janeiro. Nesta quarta-feira, o senador Sergio Moro (União Brasil-PR) trouxe à tona a discussão sobre o Projeto de Lei da Dosimetria, que, segundo ele, busca corrigir um “erro técnico lamentável” nas condenações. A proposta, que já passou pela Câmara dos Deputados e agora tramita no Senado, visa assegurar maior proporcionalidade nas sanções aplicadas, com foco em casos que, na visão de alguns parlamentares, receberam penas excessivamente severas. O relator do projeto, senador Esperidião Amin (PP-SC), também se pronunciou, indicando a complexidade da matéria e os desafios para conciliar diferentes visões no Congresso Nacional, especialmente a respeito da redução de pena para os envolvidos nos eventos.

A defesa de Moro: erro técnico e proporcionalidade

Crítica às sentenças do 8 de janeiro
O senador Sergio Moro afirmou, em recente entrevista, que o Projeto de Lei da Dosimetria tem a finalidade precípua de corrigir o que ele classificou como um “erro técnico lamentável” nas condenações relacionadas aos atos de 8 de janeiro. Para Moro, que é autor de uma das emendas ao texto, o Congresso Nacional está agindo para ajustar uma falha que resultou em sentenças consideradas desproporcionais por parte do Supremo Tribunal Federal (STF). A iniciativa busca, portanto, garantir que as punições aplicadas estejam em consonância com a gravidade real dos delitos cometidos, evitando excessos.

Moro enfatizou que a emenda por ele proposta “corrige um deslize técnico”, mas que o propósito maior é “resgatar todo o propósito da discussão de focar os benefícios nos condenados do 8 de janeiro”. Ele citou um caso específico para ilustrar a sua preocupação: o de uma mulher que recebeu uma pena de 14 anos de reclusão por, supostamente, ter pintado uma estátua. “Não posso concordar em dar 14 anos para uma mulher que pintou uma estátua com batom. Temos que ter um pouco de humanidade e reconhecer que houve excessos e houve o erro do Supremo”, declarou o senador. Ele chegou a expressar a crença de que o próprio ministro Alexandre de Moraes, relator de muitos dos casos do 8 de janeiro no STF, “gostaria de reconhecer e virar essa página”, indicando que a busca por uma correção pode ser um anseio compartilhado por diferentes esferas do poder. A defesa de Moro, portanto, não se baseia na anulação das condenações, mas na readequação do tempo e do regime de cumprimento da pena para alinhar a justiça ao princípio da individualização e proporcionalidade.

A tramitação no Senado e os desafios do relator

A remoção dos “jabutis” e as divisões políticas
A tramitação do Projeto de Lei da Dosimetria no Senado Federal revela-se um processo intrincado, marcado por divergências e pelo esforço do relator, senador Esperidião Amin (PP-SC), para purificar o texto. Amin anunciou que apresentaria seu relatório visando, principalmente, excluir os chamados “jabutis”. Estes são, na linguagem legislativa, temas estranhos ou alheios à proposta original, inseridos durante a tramitação na Câmara dos Deputados. A remoção de tais elementos é crucial para manter a integridade e o foco do projeto em sua finalidade declarada, que é a correção da dosimetria de penas, sem que outras matérias, por vezes polêmicas, contaminem o debate central.

O projeto, após ser aprovado pelos deputados em 10 de dezembro, enfrenta notável resistência e divisões entre os senadores. Esperidião Amin reconheceu abertamente a polarização: “Há as pessoas que são contra a aplicação de redução de pena para os condenados do 8 de Janeiro e há os que desejam mais do que isso, que desejam anistia. Nós assistiremos a um embate”. Essa declaração ilustra a amplitude do debate, que vai desde a manutenção das penas já proferidas, passando pela revisão da dosimetria, até a possibilidade de uma anistia total, que extinguiria completamente a punibilidade. A expectativa era que o relatório fosse analisado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) ainda antes do recesso parlamentar, previsto para começar no dia 22 de dezembro. Contudo, o relator também ponderou sobre a complexidade de alterar o conteúdo já aprovado pela Câmara sem que o projeto precise retornar à casa de origem, um trâmite que poderia atrasar significativamente a aprovação e dificultar sua sanção antes do término do ano legislativo.

Impacto potencial do PL da dosimetria nas condenações

Redução de penas e solturas imediatas
O Projeto de Lei da Dosimetria carrega um impacto potencial significativo, caso seja aprovado em sua forma atual, nas condenações dos envolvidos nos atos de 8 de janeiro. Segundo estimativas baseadas no texto em análise, a medida poderia resultar em uma drástica redução nas penas aplicadas. Um exemplo notório é o do ex-presidente Jair Bolsonaro, cuja pena, hoje estimada em 6 anos e 10 meses em regime fechado para certos crimes, poderia ser reduzida para aproximadamente 2 anos e 4 meses, um período consideravelmente menor que abriria diferentes possibilidades de regime de cumprimento de pena.

Além disso, o projeto prevê a soltura imediata de condenados a penas consideradas mais leves, ou que já cumpriram parte significativa da pena, nos processos relativos ao episódio classificado como tentativa de golpe. Essa disposição visa atender aos critérios de proporcionalidade que o senador Sergio Moro e outros parlamentares têm defendido, argumentando que a justiça deve ser exercida com humanidade e equidade. A aplicabilidade dessas reduções, no entanto, dependerá da análise individual de cada caso e de como as novas diretrizes do PL se encaixarão nas decisões já proferidas, considerando as diferentes naturezas dos crimes imputados aos réus do 8 de janeiro. A efetivação dessas mudanças representaria um marco na reavaliação das consequências jurídicas de um dos momentos mais tensos da história política recente do Brasil.

Perguntas frequentes sobre o PL da dosimetria

Qual o objetivo principal do Projeto de Lei da Dosimetria?
O Projeto de Lei da Dosimetria visa corrigir o que o senador Sergio Moro descreve como um “erro técnico lamentável” nas sentenças proferidas contra os envolvidos nos atos de 8 de janeiro. A intenção é assegurar maior proporcionalidade nas punições, buscando evitar penas consideradas excessivamente severas para infrações específicas, como no caso da mulher condenada a 14 anos por danificar uma estátua com batom, conforme mencionado pelo senador.

O que são os “jabutis” mencionados pelo relator Esperidião Amin?
Os “jabutis” são temas estranhos ou desvinculados da proposta original de um projeto de lei, inseridos durante sua tramitação, geralmente na Câmara dos Deputados, antes de seguir para o Senado. Eles são frequentemente adicionados para aproveitar o fluxo legislativo de uma proposta principal. O senador Esperidião Amin, relator do PL da Dosimetria, anunciou que apresentará um relatório que pretende excluir esses elementos para focar o projeto em seu propósito inicial de ajustar a dosimetria de penas.

Quais seriam os impactos da aprovação do PL da Dosimetria nas condenações do 8 de janeiro?
Se aprovado em sua forma atual, o Projeto de Lei da Dosimetria poderia resultar em uma redução significativa de penas para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro. Por exemplo, a pena do ex-presidente Jair Bolsonaro, hoje estimada em 6 anos e 10 meses em regime fechado, poderia ser reduzida para 2 anos e 4 meses. Além disso, a medida prevê a soltura imediata de condenados a penas mais leves nos processos relacionados ao episódio classificado como tentativa de golpe, buscando readequar as sentenças à nova perspectiva de proporcionalidade.

O Projeto de Lei da Dosimetria emerge como um ponto nodal no debate sobre justiça e proporcionalidade das penas no Brasil. Com a defesa enfática do senador Sergio Moro sobre a necessidade de correção de um “erro técnico” nas condenações do 8 de janeiro, e o delicado trabalho do relator Esperidião Amin para purgar o texto de “jabutis”, a proposta reflete a complexidade da legislação penal. Enquanto o Senado se prepara para um embate decisivo, com posições divergentes sobre a anistia e a redução de penas, o resultado da votação definirá não apenas o futuro de diversos condenados, mas também o entendimento sobre a aplicação da justiça em momentos de crise democrática, moldando precedentes importantes para o sistema judiciário brasileiro.

Para manter-se atualizado sobre os desdobramentos do Projeto de Lei da Dosimetria e outros temas cruciais da política nacional, acompanhe as notícias e análises aprofundadas sobre o Congresso Nacional.

Fonte: https://www.conexaopolitica.com.br

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