O presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificou o confronto com o mercado financeiro ao discursar sobre a nova faixa de isenção do Imposto de Renda, promulgada em lei. Em um pronunciamento de seis minutos transmitido em cadeia nacional de rádio e televisão no domingo, o presidente Lula descreveu a medida como um golpe contra os privilégios de uma minoria financeira.
A nova legislação isenta do Imposto de Renda pessoas com renda mensal de até R$ 5.000. Segundo o presidente, a medida visa corrigir uma “distorção histórica” no sistema tributário. Ele argumentou que aqueles que obtêm sua renda do trabalho árduo pagam uma porcentagem maior de impostos em comparação com aqueles que vivem de renda de capital. “Quem vive do suor do seu trabalho e constrói de fato a riqueza desse país paga até 27,5%. Já quem vive de renda paga apenas 2,5%, em média”, declarou.
Lula afirmou que a compensação fiscal para a isenção virá da tributação dos indivíduos com renda superior a R$ 1 milhão por ano, ou aproximadamente R$ 83 mil por mês. Ele garantiu que essa receita adicional não será proveniente de cortes em áreas essenciais como educação ou saúde, mas sim da taxação dos “super-ricos”, que ele alegou não pagarem impostos suficientes atualmente. “A compensação não virá de cortes na educação ou na saúde, mas da taxação dos super-ricos, que hoje não pagam nada ou quase nada de imposto”, afirmou Lula.
A medida, que foi aprovada por unanimidade na Câmara dos Deputados em 1º de outubro e no Senado em 5 de novembro, antes de ser sancionada em 26 de novembro, deve ser usada como um trunfo eleitoral em 2026.
O presidente Lula reforçou seu discurso de contraposição social, caracterizando como injusta a disparidade na carga tributária entre trabalhadores e detentores de capital. Ele criticou a situação em que indivíduos com alto patrimônio pagam proporcionalmente menos impostos do que profissionais como professores, policiais ou enfermeiras. “Quem mora em mansão, tem dinheiro no exterior, coleciona carros importados, jatinhos e iates, paga 10 vezes menos do que uma professora, um policial ou uma enfermeira. Isso é inaceitável. Era preciso mudar e nós estamos mudando”, disse o presidente.
O governo já está explorando politicamente a medida por meio de uma campanha de comunicação focada na narrativa de “pobres versus ricos”. A estratégia tem como alvo principal o eleitorado que apoiou Jair Bolsonaro nas eleições de 2022.
Fonte: www.conexaopolitica.com.br
