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Editorial: a realidade brasileira nua e crua, longe da fantasia de potência

As palavras do chanceler alemão foram um golpe, desfazendo a ilusão de um Brasil potente. Uma verdade que, internamente, causa desconforto. A declaração de Friedrich Merz em Berlim, sobre o contentamento dos jornalistas alemães em retornar ao seu país, expõe uma realidade incômoda.

O Brasil se tornou uma caricatura de si mesmo, resultado da atuação de seus próprios políticos. Uma elite distante, protegida e alheia à realidade da população. Movimentando-se em jatinhos e palácios, essa casta institucional enxerga o país como um território estrangeiro, habitado por pessoas descartáveis. O cidadão comum luta para sobreviver em meio ao caos, enfrentando esgotos a céu aberto, transporte público precário, escolas carentes e hospitais improvisados.

Enquanto isso, os responsáveis por essa tragédia cotidiana se refugiam em marketing e slogans, mascarando a miséria com campanhas coloridas e promessas vazias. A cada eleição, o ciclo se repete, o “tumor” da corrupção e da ineficiência cresce, e o país definha.

Os mesmos políticos que negligenciam a população se vitimizam diante de críticas internacionais. Tentam, em vão, evocar um patriotismo falso: “Somos todos Brasil”. Mas a verdade é que não são. Quando Belém é criticada, a vergonha recai sobre os governantes que perpetuam indicadores de um país em colapso, não sobre o povo honesto.

Em Belém, apenas cerca de 20% do esgoto é tratado, contaminando rios e afetando famílias de baixa renda. No país, menos da metade do esgoto recebe tratamento adequado, deixando milhões sem saneamento básico. Alunos estudam em contêineres, cidades carecem de infraestrutura, e pacientes compartilham leitos em hospitais. O investimento em infraestrutura é baixo, comparado a países desenvolvidos. Um território gigante com estrutura precária.

A elite política ignora a vida real e se esconde em discursos sentimentais quando confrontada com a verdade. Tenta transformar críticas em ataques ao país, como se o povo e seus representantes fossem a mesma coisa. O povo carrega um fardo imposto, enquanto os políticos se agarram a privilégios.

O país vive em um estado de abandono institucional, onde o governo ensina a população a sobreviver com migalhas. O Estado alimenta o povo com restos e ilusões, perpetuando um sistema de mentiras que interessa apenas a quem está no poder. Mentiras que mantêm um país onde a população clama por um mínimo de proteção.

A política brasileira transformou o cidadão em um mendigo em sua própria terra. Enquanto houver quem aceite viver de migalhas, haverá um Estado que oferece apenas sobras. Essa é a realidade que o chanceler alemão percebeu em sua breve passagem pelo Brasil, uma realidade que os brasileiros conhecem desde sempre.

O escândalo não está na crítica externa, mas no fato de que ela expõe a verdade que o Brasil insiste em ignorar.

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