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Consórcio de governadores é ‘traição à pátria’, afirma ministro boulos

Raul Holderf Nascimento

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, gerou polêmica ao criticar duramente a iniciativa de governadores da oposição que propõem enquadrar facções criminosas como organizações terroristas. Em suas declarações, o ministro expressou preocupação com a possibilidade de que tal medida possa abrir portas para a ingerência de atores internacionais nos assuntos internos do país.

Em entrevista, Boulos questionou a eficácia da mudança de enquadramento jurídico no combate ao tráfico de drogas. Para ele, alterar a nomenclatura de “narcotraficante” para “terrorista” não traria avanços significativos. O ministro foi enfático ao afirmar que, ao se prestarem a esse papel, os governadores estariam “montando um consórcio de traição à pátria”.

As declarações de Boulos surgem em um momento em que governadores de centro e de direita lançaram o chamado “Consórcio da Paz”. A iniciativa foi criada após uma operação no Rio de Janeiro que resultou em mais de 120 mortes. O objetivo do grupo é promover ações integradas de segurança pública entre os estados e defender propostas legislativas, como o projeto de lei apresentado por um deputado federal que visa alterar a Lei Antiterrorismo para classificar organizações como o PCC, o Comando Vermelho e as milícias como terroristas.

O projeto de lei em questão, que tramita na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, já teve sua análise adiada diversas vezes e, segundo o presidente do colegiado, não será pautado nesta semana.

Boulos também expressou concordância com a avaliação do presidente Lula sobre a operação no Rio de Janeiro, que foi classificada como “matança”. O ministro ressaltou que, embora quatro policiais tenham sido vítimas na operação, o número elevado de mortes justifica o termo utilizado pelo presidente.

Em resposta às críticas do governador do Rio de Janeiro, que acusou o governo federal de omissão, Boulos defendeu a atuação da União, mencionando propostas concretas como a PEC da Segurança Pública e o PL Antifacção, apresentados pelo Executivo.

O ministro argumentou que existem visões opostas sobre como lidar com a questão da segurança pública. Segundo ele, a diferença entre o governo e a “extrema direita” reside no fato de que esta última busca usar a insegurança da população para fazer política baseada no medo e no sangue, enquanto o governo busca enfrentar o problema de forma efetiva, combatendo o crime organizado e “pegando peixes grandes”.

Ao ser questionado sobre pesquisas que indicam apoio popular à operação no Rio de Janeiro e à postura do governador, Boulos relativizou os dados e defendeu a necessidade de debater esse tipo de reação. Ele comparou a situação com o massacre do Carandiru em 1992, quando a população de São Paulo teria aplaudido a ação. Boulos alertou que, se o sentimento popular for o único guia para as decisões políticas de um governo, “daqui a pouco estaremos defendendo câmara de gás”.

Fonte: www.conexaopolitica.com.br

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